quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

CHEGADA






Boca árida, pele gélida,
Sexo infecundo, cheiro amargo.
O olho ora, a boca oculta
E o tempo passa... E a febre passa...
E as ondas? Elas quebram
Uma atrás da outra,
Outra atrás de uma.
Ouvido e olhos viúvos de seus atos
Percebem a sutil chegada...
Vem.
Que o passado passa... E o presente é só.


PAM ORBACAM

CHEGADA






Boca árida, pele gélida,
Sexo infecundo, cheiro amargo.
O olho ora, a boca oculta
E o tempo passa... E a febre passa...
E as ondas? Elas quebram
Uma atrás da outra,
Outra atrás de uma.
Ouvido e olhos viúvos de seus atos
Percebem a sutil chegada...
Vem.
Que o passado passa... E o presente é só.


PAM ORBACAM

CANTO AOS PÁSSAROS




Meu anseio é por ser céu.
Céu sem nuvens
Só de estrelas.
Visíveis, invisíveis,
Brilhantes ou foscas.

Sol da manhã
Pela manhã,
Quando não se vê mais as estrelas
A cena é o canto.
E nesse primeiro canto
Fica um beijo
Quando a angústia cala no segredo.
E assim cessa o tempo.

No segundo canto
Há a espera por mais um beijo.
Adentra então no tempo a dor
E fica no vácuo o desejo
De ser céu.
Céu de estrelas,
Céu sem nuvens
Céu.
Brilhante ou fosco céu
Onde cantam os pássaros.

PAM ORBACAM

CANTO AOS PÁSSAROS




Meu anseio é por ser céu.
Céu sem nuvens
Só de estrelas.
Visíveis, invisíveis,
Brilhantes ou foscas.

Sol da manhã
Pela manhã,
Quando não se vê mais as estrelas
A cena é o canto.
E nesse primeiro canto
Fica um beijo
Quando a angústia cala no segredo.
E assim cessa o tempo.

No segundo canto
Há a espera por mais um beijo.
Adentra então no tempo a dor
E fica no vácuo o desejo
De ser céu.
Céu de estrelas,
Céu sem nuvens
Céu.
Brilhante ou fosco céu
Onde cantam os pássaros.

PAM ORBACAM

ABANDONO



Carbamazepina, Fluoxetina, Cloridrato de amitriptilina.
Nada disso é demais, porém, nada disso é suficiente para preencher o vazio da minha sombra refletida no vidro da janela do vizinho da frente: o perfil de uma pessoa só, com seu cigarro pendurado nos lábios.
Sem mãos, sem olhos. Uma sombra.
A pretensão de uma mente vazia com mãos e braços prazerosamente doloridos por segurar sua própria vida e a cabeça cheia! Mãos e braços vazios...
Acho que Deus colocou dedos em nossas mãos para que as coisas escorregassem por entre eles, cedo ou tarde.
Meus lábios estão secos e meu corpo vazio.
Tenho neurônios a menos sim, afinal, o álcool e as crises existenciais assassinaram meu cérebro.
É como quando nos sonhos a gente se vê correndo em "slowmotion", olhando para trás, num puta esforço e percebe que quem te persegue NÃO está em "slowmotion".
É ser caça.
É como quando nos sonhos a gente se vê no escuro tentando acender a luz e não consegue. Tentando gritar e a voz não sai.
Dor.
Monossílabo atônico.
Substantivo abstrato feminino singular.
A dor não escorrega pelas minhas “mãos humanas”.
Ar.
Ausência.
O ar que inalo é a nicotina e o alcatrão do meu cigarro.
Segredos.
Não há segredo que não possa ser desvendado, a não ser o seu próprio.
Céu vazio. Nem lua nem estrelas. Eu no espaço vazio que minha mente preenche mediante tamanho, absurdo, inexplicável e estimado silêncio.
Dorme, meu bem. Dorme teu sono tranqüilo.
Dorme, que a pupila do meu olho se dilata e no escuro eu enxergo mais.
O medo? O medo é para as presas.




PAM ORBACAM

ABANDONO



Carbamazepina, Fluoxetina, Cloridrato de amitriptilina.
Nada disso é demais, porém, nada disso é suficiente para preencher o vazio da minha sombra refletida no vidro da janela do vizinho da frente: o perfil de uma pessoa só, com seu cigarro pendurado nos lábios.
Sem mãos, sem olhos. Uma sombra.
A pretensão de uma mente vazia com mãos e braços prazerosamente doloridos por segurar sua própria vida e a cabeça cheia! Mãos e braços vazios...
Acho que Deus colocou dedos em nossas mãos para que as coisas escorregassem por entre eles, cedo ou tarde.
Meus lábios estão secos e meu corpo vazio.
Tenho neurônios a menos sim, afinal, o álcool e as crises existenciais assassinaram meu cérebro.
É como quando nos sonhos a gente se vê correndo em "slowmotion", olhando para trás, num puta esforço e percebe que quem te persegue NÃO está em "slowmotion".
É ser caça.
É como quando nos sonhos a gente se vê no escuro tentando acender a luz e não consegue. Tentando gritar e a voz não sai.
Dor.
Monossílabo atônico.
Substantivo abstrato feminino singular.
A dor não escorrega pelas minhas “mãos humanas”.
Ar.
Ausência.
O ar que inalo é a nicotina e o alcatrão do meu cigarro.
Segredos.
Não há segredo que não possa ser desvendado, a não ser o seu próprio.
Céu vazio. Nem lua nem estrelas. Eu no espaço vazio que minha mente preenche mediante tamanho, absurdo, inexplicável e estimado silêncio.
Dorme, meu bem. Dorme teu sono tranqüilo.
Dorme, que a pupila do meu olho se dilata e no escuro eu enxergo mais.
O medo? O medo é para as presas.




PAM ORBACAM

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sai da Cruz!

Hoje eu quero prestar uma homenagem ao colega ausente Elio Camalle (não, ele não morreu) , exímio compositor e cantor, intérprete que arrepia os pelinhos e não me canso de ouvir.
Elio, teu talento é inquestionável. Tua voz acalento para os ouvidos. Tua falta de organização muito engraçada e teu bom humor faz sorrir qualquer carinha enfezada.
A história de "Sai da Cruz" no projeto Rede Cultural tornou-se histórica. Admiro tua autenticidade e ousadia.
Sinto saudade. Teu lugar é no céu, junto às estrelas.
Grande beijo,

Pam Orbacam