terça-feira, 1 de novembro de 2011

FAITH




Acendo o cigarro as 3 da manhã, horário que acordo de um pesadelo e perco o sono (rotina). Coincidentemente o horário em que nasci. Não sei porque acho que os cigarros me acalmarão, eles nunca me acalmam. Fumo porque gosto mesmo. Bobagem minha.
Ainda sinto a sede da ressaca. Não posso misturar bebida, não posso misturar as coisas. Devo ser organizada (dizia minha mãe), cada coisa no seu lugar, cada hora, cada instante, cada passo, nunca consigo (rotina). Ela também não conseguiu.
A casa empilhada de várias caixas com coisas dentro, prontas para a mudança (de novo), adoro mudar, mas dessa vez será pra sempre. Não gosto de coisas "eternas", gosto de mudanças. Mudanças de casa, mudanças de cor, mudanças de homens, mudanças de sentimentos, mudanças de olhares, de cheiros, de sabores. Não vou deixar que essa "casa eterna"eternize minhas outras mudanças, não vou. Caso isso viesse a acontecer seria como a morte e ainda estou viva.
Eu não espero que as coisas ou as pessoas permaneçam na minha vida. Seria muito chato. A bosta de se fazer 40 anos é que a gente se sente meio que na obrigação de tomar rumo na vida ou de estabelecer vínculos afetivos duradouros (a duras penas), o que pra mim não funciona. A gente se sente cobrada por ter um homem ao lado (não quero) porque uma mulher com essa idade já deveria tê-lo, "onde já se viu?".
O mais foda de tudo isso é que quando boto os pés no chão e mando todo o resto do mundo se foder por causa de suas ideologias baratas e sem originalidade, decidindo de vez então que não abro mão das minhas vontades nem da MINHA ideologia de vida, o mundo, astral ou seja lá que porra dão de nome a essas coisas, quem sabe "faith", do nada me aparece uma onda de mar surfista e me derruba no chão, engulo água salgada pelo nariz, o que faz meu cérebro arder e me perco, de novo. 
Seria teimosia minha? Certamente. Mas seria burrice minha abrir mão do que me faz bem? 
.............................................
Decido ficar sozinha. Gosto. Isso implica numa série de coisas que estão alinhadas com a tal gostosa e maquiavélica solidão. Meu corpo pede outro corpo. Que merda. (Cheiro de carne viva, suada).
Resistir a outro corpo faz parte da merda do aniversário de 40 anos (sou uma senhorinha agora).
Meu corpo pede outro. To indo pra 4.1.
Resisto, porque insistir é verbo pra no máximo até os 25.
Quanto mais resisto, mais o mar se rebela, afoga minha cabeça no mar e eu não consigo respirar. 
Acordo do pesadelo como se estivesse emergindo das águas salgadas, nariz sem sal, sem ardor no cérebro e vejo o mar calmo.
Não adianta. Foi o vinho. Bendito seja! Bebida dos deuses! Leves escoriações pelo corpo, digitais, sangue, cheiro, gosto e a sensação incomparável de satisfação pelo corpo invadido e violado sem luta ao som da música mais gostosa de se ouvir, o som do gozo. As estrelas ainda estão no céu. Testemunhas.
Os sete meses de endeusamento e insistentes investidas levadas na bota por causa dos meus quase 4.1 doeram. Uma dor gostosa. Gosto de gente decidida, insistente, afinal de contas, eu sou assim.
É... eu sou eu. E foda-se. 
Um dia, eu quase morri afogada. Hoje eu não morro mais.
Ele diz que tem certeza que é o destino. Eu não.

Paula Miasato

Um comentário: